Decisão política equivocada condena futuro de Campina Grande

Com apenas 7,68% da capacidade, governo anuncia fim do racionamento

Na última terça-feira (8), o secretário de Estado de Recursos Hídricos, João Azevedo, comunicou que o racionamento de água em Campina Grande e cidades da região seria encerrado. As cidades abastecidas pelo Açude Epitácio Pessoa (Boqueirão) estão em regime de racionamento desde dezembro de 2014.

A decisão pegou de surpresa a população campinense, que reagiu negativamente à notícia. Aqueles que não acompanharam de perto o dia-a-dia na cidade podem achar estranho tal descontentamento; afinal, não deveriam todos estarem felizes? Não. Só quem conviveu mais de dois anos com o fantasma da falta de água, do colapso hídrico eminente, sabe a importância do racionamento.

Quem, em sã consciência, acredita que a cheia de míseros 7% do reservatório representa uma situação de segurança e estabilidade? Quem, diante dos inúmeros percalços enfrentados ultimamente com as obras da transposição do Rio São Francisco, pode garantir que a pouca água que está sendo recebida dele continuará a chegar?

Mais uma vez a opinião da população de Campina Grande é ignorada pelo governo do Estado. Como a verdade dos fatos é item acessório e artefato que ultimamente caiu em desuso, o que conta é a narrativa. E a estória a ser contada é a de que foi graças aos esforços da administração estadual que a crise hídrica fora superada; que foi o empenho do ex-presidente Lula que a Paraíba pôde finalmente aposentar as latas d’água que ornamentava a cabeça de seus cidadãos – quando, na verdade, assim como o Lula foi, por meio das empreiteiras responsáveis pela obra, o governo está sendo motivo de atraso para a região, condenando o futuro da Rainha da Borborema.

Por mais que se apresentem argumentos técnicos para o fim do racionamento, sua justificativa possui cunho político: o evento que está sendo preparado para comemorar o momento histórico não passa de palanque para o Lula, que, coincidentemente, virá à Paraíba exatamente no dia da solenidade. Alguém aí se lembra da segunda inauguração do trecho da transposição do Rio São Francisco, em Monteiro? Pois é.

Neste exemplo pontual, a democracia tem sua máscara retirada, o princípio da impessoalidade da Administração Pública é jogado na latrina, enquanto homens públicos se preocupam mais com a construção de uma narrativa favorável a si mesmos, se autoproclamando, nas entrelinhas, heróis e salvadores, do que com o futuro e bem estar, de fato, da população, que poderá muito em breve, devido às atitudes precipitadas do atual governo, encarar novamente o terror psicológico da eminente escassez de água.

Parabéns aos envolvidos.

Artigo escrito por Luís Felipe Nunes. A opinião do autor não reflete a opinião do Instituto.

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