Nada e ninguém tira o brilho de Campina Grande

Campina Grande, uma das cidades com o maior valor histórico do nordeste, passou por poucas e boas neste São João. A referência de grandeza da rainha da Borborema se dá desde os primeiros Tropeiros, os quais tornaram-se ícones para a cidade, por consequência do seu respaldo econômico na época, elevando o status de vila a cidade.

Campina cresceu pelo trabalho do seu povo, pioneiro, original, acolhedor e eclético. A rainha da Borborema é uma das poucas cidades do Brasil que possui, estrategicamente, um eleitorado diferente e, principalmente, uma nuance que transforma o eclético em original.

Falo isto pois a terra dos Tropeiros tem eventos diferenciados, desde a “Namoradinha” e, anteriormente, a saudosa Micarande, até o Maior São João do Mundo. Este, criado no ano de 1983 e já contempla seus 35 anos de tradição. Falar do São João envolve riquíssimos detalhes econômicos e sociais A festa movimenta cerca de 200 milhões de reais na economia, durante os 30 dias de festa, mais de 2 milhões de pessoas visitam todos os anos o Parque do Povo, elevando o nome não só de Campina Grande, mas de toda a Paraíba, colocando-a em evidência nas principais emissoras de rádio e TV do Brasil.

Não obstante, emissoras líderes em audiência, como Globo e SBT, exibem rotineiramente e com destaque a festa promovida pelos campinenses. Todos estes detalhes que constroem não só um bom São João, mas mantém uma tradição dos nossos antepassados à mostra, garantindo a perpetuação da cultura nordestina.

Todos esses detalhes os pessimistas de plantão parecem querem ignorar. Este ano, alguns incidentes aconteceram, como a greve dos caminhoneiros, cobrança dos direitos autorais realizada pelo ECAD, o indício de agulhadas no Parque do Povo e, por último, o incêndio acontecido numa das barracas, tais fatores tratam-se, infelizmente, de acontecimentos imprevisíveis. O alarde feito em relação a esses acontecimentos mostra a irresponsabilidade por parte de alguns, inclusive daqueles que, de alguma forma, tiram proveito da má propaganda dos festejos.

Outro assunto que gerou controvérsia foi a pauta da privatização, ainda que ela seja de suma importância, inclusive pelo gerenciamento de gastos e controle da máquina pública. Segundo dados oficiais da prefeitura, o total economizado gira em torno de 5 milhões de reais, um número bastante audacioso e que desafoga a conta dos, já voluptuosos, gastos públicos. O que nos lembra Mises, em seus manifestos, ao anunciar a importância do campo privado na vida em sociedade para que esta prospere.

A festa financiada por empresa privada reduz drasticamente problemas como: beneficiamento político, fraudes, altos gastos, mau uso da estrutura, beneficiamento de alguns grupos dominantes, etc.

Talvez o único problema da privatização, segundo os críticos de plantão, seja oferta e demanda. Algo plenamente racional por parte da organização da festa seria a contratação de artistas que tenham maior popularidade, acarretando num público mais numeroso ao Parque do Povo, o que é totalmente recomendável, pois gera mais empregos e maximização dos lucros. Sob essa perspectiva, o problema apontado é a perda do aspecto inicial da festa, tornando-a mais eclética, posto que o público procura e quer ouvir bandas de ritmos que não comungam com essa tradicionalidade.

Não sabemos o porquê desta vaporização do Maior São João do Mundo, tampouco os interesses, mas sabemos que criticar de forma tão negativa a festividade é um total desrespeito ao povo paraibano, que, atrevo-me a dizer, é um dos únicos ligados às suas raízes históricas do forró e seus derivados, originalmente sertanejos.

O São João de Campina é um patrimônio mundial e enaltece a nossa Paraíba, tão carente de estrutura e projetos, que se vê repleta de turistas durante todo o mês de Junho, valorizando não somente a música, mas também a rica gastronomia e artesanato paraibano, que tanto orgulham esse aguerrido povo. Tentar macular a imagem de tão célebre evento é, no mínimo, desprezível.

Graduando em Administração pela Universidade Estadual da Paraíba e Presidente Fundador do Instituto Tropeiros.

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